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Guerreiras que realizam em Orlando

Guerreiras  que realizam em Orlando
03 fev 2019

Usarei uma das minhas colunas esse mês para falar de uma Mulher com M maiúsculo, verdadeira guerreira que realizou e realiza na América, que perdeu o marido para o câncer e que, sozinha, toca uma das mais bem estruturadas fábricas de Macarons de Orlando. Diferente das que usam a auto descrição em 3ª pessoa para se auto enaltecer ou ao filho que tem um passado problemático com brasileiros, ou ainda, na própria coluna, vender os “dotes” familiares…
Dentre tantas Andreas, Renatas, Lucieles, Cristinas etc. nessa edição falarei sobre uma mulher de garra, Meire Lamounier, uma pacata mãe de família, que em meados de 2012, desembarcou na América, com seu marido Marcelo e a filha Duda, para realizar um sonho. Marcelo havia sido aprovado no Le Cordon Bleu, instituto educacional mundialmente conhecido por fornecer o mais alto nível de instrução culinária (mas essa será uma outra história).
Meire conta, com certo entusiasmo, sobre o dia que o telefone dele tocou e a ligação era um puro desafio: – produzir, em tempo recorde, macarons para um hotel. E lá foram eles, a dois, como tudo sempre faziam, madrugada a dentro, após testes e mais testes, chegaram a receita ideal e iniciaram a sua primeira produção. Ali, nascia a Lamounier Macarons & Chocolats.
Macarons, apesar de ser um pequeno doce, é um enorme desafio, inclusive para a maioria dos chefes e foi exatamente isso que fascinou eles, Meire, sempre com Marcelo, afirma que essa paixão roubou seu coração e juntos, montaram a fábrica para produzir os macarons. Em muito pouco tempo, já no auge da sensação do sonho realizado, num belo dia em sua fábrica, durante a criação de uma nova receita, Marcelo foi tomado por uma forte dor na região da bacia e das costas, Meire o escorou e imediatamente o conduziu ao hospital e após uma bateria de exames, ela recebeu a avassaladora notícia que Marcelo estava com câncer no último estágio, ou seja, restava à ele, pouco tempo de vida.
Na dura missão de digerir essa notícia e enfrentar essa nova realidade em suas vidas, nascia ali uma guerreira, Meire não podia deixar-se abater, passou a ser o pilar de sua casa e, fortalecida por Deus, passou a incentivar Marcelo a enfrentarem de frente essa nova realidade, programar seus próximos passos e preparar tanto o futuro dos negócios como o coração da pequena Duda.
Incrivelmente, Meire e Marcelo juntos, canalizaram toda essa situação destrutiva e a transformaram em entusiasmo, a felicidade dele em estar em sua fábrica criando incríveis sabores de macarons era contagiante, e ainda, “de quebra”, desenvolveu uma técnica única de produzir também, diferentes sabores de chocolates. Passaram a VIVER mais felizes, ele sorria muito, principalmente quando sua filha Duda ajudava na produção de macarons de diferentes formas, cores e sabores para a Disney, e que ele fazia questão de entrega-los pessoalmente, um privilégio do qual participei, ajudando-o algumas vezes, quando estava mais fraco. Era sempre uma magia, mesmo diante de uma verdadeira corrida contra o tempo.
Nos dias que se seguiram, entre remédios, consultas, dores e exames, entre uma criação e outra, ele se deitava no sofá que adequaram na fábrica e ficava ali, onde se sentia bem. Talvez pelo fato de estar próximo do perfume da fábrica, ou por ficar imaginando durante a pintura de um a um, qual sensação provocaria naquela pessoa que estaria degustando exatamente aquela obra de arte que estaria pintando.
Vocês, nobres leitores, já sentiram o olor de uma fábrica de chocolates ou de macarons??? Afirmo, das vezes que pude estar com eles lá, que é sem dúvida alguma, um dos melhores do mundo. Esse olor transmite uma sensação de paz e regozijo.
Numa bela manhã, estávamos a prosear próximo ao lago de Celebration, como fazíamos algumas vezes e ele passou mal. Levei-o até a Meire que cuidou dele. No dia seguinte ele não melhorou, Meire o levou ao hospital e em seus corações sentiram que ele não voltaria mais pra casa, Meire tentou disfarçar, mas era impossível conter as lágrimas e foi imediatamente amparada, abraçada pelo próprio Marcelo,… e assim, pouco tempo depois de internado, no início de 2018, ele descansou.
A forma única de preparar os macarons se perdeu com ele, mas Marcelo passou seus conhecimentos à Meire, inclusive a exclusiva receita dos macarons que criou. Quem prova, afirma que é capaz de sentir, a cada mordida, uma explosão de sabor. Parece até que todo amor e dedicação que ele tinha pelo seu propósito, se expressa em um pequeno e único doce, seu Macaron.

Meire com a voz embargada e olhos cheios de lágrimas lembra:
– “Marcelo, meu marido, amigo, pai exemplar, visionário, otimista, dedicado, que tinha um sorriso que iluminava tudo a sua volta, apaixonado pela vida, aonde chegava enchia o ambiente com a sua voz e o seu humor contagiante. Ele foi e deixou um grande legado, pra mim e para Maria Eduarda, nossa filha, que irá seguir os passos do pai e será Pastry Chef”…

Atualmente, Meire continua trabalhando na fábrica e mantém vivo seu sonho. Marcelo, meu amigo de inúmeros adjetivos e muitas vezes confidente, apesar das circunstâncias que o tomara, sempre agradecia a Deus todos os dias por tudo, até mesmo pela doença que o levou.

(Feliz do homem que em seu legado não deixa só as sementes, mas também a forma de cultivá-las e colhê-las…)
Marco Meccia

Marco Meccia

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