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Fred Oliveira – Ginasta brasileiro brilhando no Cirque du Soleil

(Foto: Gabriel Felix Photography)
14 abr 2018

Por cinco semanas Tampa foi o endereço oficial do Big Top, a enorme tenda de um dos circos mais renomados do mundo, o Cirque du Soleil, que esteve na cidade apresentando o show Volta.

Com uma temática futurista com muita cor, música e repleto de ação, o show conta uma história de transformação, mudança de emoções, liberdade de escolha e da alegria que temos quando somos donos do próprio destino, e mostra que a sua diferença te torna mais forte e mais bonito! Um espetáculo marcado por muita energia, esportes extremos, lindas performances e acrobacias, transformando em um espetáculo fascinante e inesquecível.

 

Os brasileiros Fred Oliveira, Danila Bim e André Felipe (Foto: Divulgação)

Volta conta com uma equipe de 124 pessoas, sendo que 47 deles são artistas de 25 nacionalidades diferentes. O show ficou conhecido como Nação Unida do Circo, devido à sua grande variedade cultural. Ao chegar ao circo, você vê as bandeiras dos países que ali representados pelos artistas, formando uma grande família e destacando o diferencial de cada um. A parte mais legal é quando vemos a bandeira brasileira, representando os 3 artistas brasileiros que se apresentam no show: Danila Bim e André Felipe da Silva, ambos do interior do São Paulo, e Fred Oliveira de Porto Alegre.

 

A brasileira Danila é dançarina, e já passou por alguns circos renomados como o Ringling Bros, e há mais de sete anos faz parte da família Cirque du Soleil. A dançarina faz a apresentação de “hair hanger”, uma coreografia que mistura dança e contorcionismo, tudo isso suspensa no ar presa somente pelos cabelos. A artista parece que levita, e a apresentação é de arrepiar de tão linda.

 

(Foto: Benoit Z Leroux & Costumes Zaldy)

André Felipe da Silva e Fred Oliveira possuem backgrounds parecidos; ambos vieram da ginástica olímpica, mas se conheceram nos treinos quando entraram para a trupe do circo em 2017. Os brasileiros participam dos mesmos números no show: o parkour e as argolas.

 

E foi o gaúcho Fred que nos recebeu para um bate papo bem descontraído, com muita simpatia e um jeitinho de moleque, mas que com seus 28 anos trazem muita experiência na bagagem.

 

(Foto: Veronyc Vachon)

Conta pra gente um pouquinho da sua história, como tudo começou?

Fred: Eu era uma criança muito ativa, passei por todos os esportes que a escola oferecia, até descobrir a capoeira aos oito anos; com 11 anos um técnico da ginástica artística me viu jogando capoeira, e procurou meu pai para saber se não seria interessante começar a treinar ginástica também. Lembro que foi uma briga na época entre os técnicos, pois eu me destacava em ambos os esportes, mas acabei optando por ficar na ginástica.

 

Na minha primeira competição, representantes do Grêmio Náutico União me convidaram para treinar no clube, onde na época treinavam a Daiane dos Santos e o Mosiah Rodrigues, grandes nomes da ginástica brasileira. Algumas pessoas na época chegaram a criticar, dizendo que estava velho para começar o esporte aos 12 anos, mas um técnico acreditou no meu potencial, me incentivou, e com o apoio de minha família comecei a treinar nos aparelhos: cavalo com alças, argolas, barra-fixa, cama elástica, e também salto e ginástica solo. Então começaram as competições e consequentemente as conquistas.

 

(Foto – Rubens Cerqueira)

Você se dedicou somente à ginástica?

Fred: Não, paralelamente aos treinos estudei e me formei em Biomedicina, mas nunca exerci a profissão, pois o amor pela ginástica foi maior.

 

Como veio parar no Cirque du Soleil?

Fred: Aos 24 anos fui convidado a integrar a equipe de ginástica do Clube ASA/São Bernardo em São Bernardo do Campo em São Paulo, ao lado de nomes como Diego Hipólito e Caio Souza. Após a minha primeira competição pelo clube, um olheiro do Cirque du Soleil veio até mim e disse que havia gostado de meu perfil, e me perguntou se não teria interesse em fazer um teste.

 

A princípio eu estava muito focado nos treinos e competições, e não levei a proposta muito a sério, mas guardei o seu contato. No final de 2016 depois de ter me realizado competindo, viajando por muitos lugares e conquistando títulos, comecei a cogitar parar com o esporte e começar minha carreira como biomédico, e foi aí que lembrei da proposta do olheiro. Sem pensar duas vezes decidi arriscar, entrei em contato e, para minha surpresa ou destino, ele comentou que estavam fazendo testes para um novo espetáculo que estrearia em 2017, e me pediu para enviasse vídeos.

 

Depois disso, tudo aconteceu num piscar de olhos, e a princípio não contei para ninguém para não criar expectativas. Em três meses fui selecionado, tirei meu visto e me mudei para Montreal, a sede do Cirque du Soleil, e comecei os treinos.

 

Como foram os treinamentos?

Fred: O treinamento é intenso: são seis meses treinando de segunda à sexta, das dez da manhã às dez da noite. Aprendi desde novas técnicas de argola em movimento, uma das partes que apresento no show, à aulas de inglês, teatro, música e percussão; precisamos saber de tudo um pouco para se caso for necessário substituir algum artista alguma vez. Foi muito legal, pois como o show era novo, pude participar do processo de criação e produção do espetáculo Volta.

 

(Foto – Rubens Cerqueira)

Teve muita dificuldade para se adaptar?

Fred: Minha adaptação foi boa, acho que porque somos brasileiros acabamos nos dando bem com todo mundo.

 

Você foi daquelas crianças que tinha sonho de fugir com o circo?

Fred: Quando eu era criança, meu pai me levou para assistir o show Alegria do Cirque du Soleil, em um Big Top que nem esse que nos apresentamos. Eu fiquei encantado e quando acabou o show eu disse a ele: “um dia eu quero estar lá, quero ser um artista do Cirque du Soleil” e ele respondeu: “Você terá que treinar muito para chegar lá!”. Agora, anos depois, estou aqui e esse sonho se tornou uma realidade!

 

Artistas do show Volta

Qual sua dica para quem quer se inscrever no Cirque du Soleil?

Fred: Fique ligado no website www.cirquedusoleil.com, lá sempre tem todas as informações sobre as novas audições, eles sempre estão procurando novos talentos. E se esse for o seu sonho, nunca desista, invista nele, pode ser que demore anos como foi meu caso, mas a recompensa vale a pena!

 

Queremos agradecer ao Fred pelo carinho que nos recebeu, e também a Steven Ross que nos permitiu acompanhar o show e fazer a entrevista.  Essa entrevista foi realizada antes do triste acidente com o artista Yann Arnaud. Gostaríamos de deixar nossas condolências à família do artista e também a toda família Cirque du Soleil.

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